ME MANDA SEUS NUDES?
Anos depois da última golpeada, finalmente lhe permiti que me visse nua. Sempre achei que essa história de gostar era a maior furada que alguém inteligente poderia se meter. Assim como ainda acho surreal se entregar por inteiro a alguém, um tédio, e pior, um sentimento imobilizante.
Nunca quis viver um conto de fadas, muito pelo contrário:
sempre fugi deles. Não sou princesa e não quero que um príncipe montado num cavalo
branco venha me resgatar, quer dizer, que perigo posso me meter a ponto de
precisar que alguém venha a cavalo selado me salvar?
Gostaria de ressaltar que essa nova filosofia de vida, onde
é proibido sofrer, demonstrar, sentir ou se importar, também não é comigo. É a
tal da era good vibes, onde o que importa é ficar
bem para as redes sociais, se tornou febre do momento. Nada contra o
positivismo. Acredito até que, por vezes, pode nos livrar de sofrer por
antecedência. Mas tanta perfeição virtual as vezes cansa. Ficar na bad, sentir saudades do ex,
raiva, ou acordar numa ressaca depois de misturar catuaba com cerveja, às vezes
cai bem, e é necessário. A verdade é que às vezes queremos tanto ter uma
vida perfeita que sufocamos a dor, sem sequer considerar que ela existe por um
motivo. E o motivo é ser a válvula de escape de nós mesmos.
-“Engole o choro e segue em frente menina! ”
Cresci ouvindo esse conselho da pessoa mais chorona do
mundo. Ironia talvez, mas aquela que me criou é, ao mesmo tempo que a pessoa
mais forte, a mais frágil que já conheci. E o que eu aprendi com essa
contradição? Sofrer não é pecado. Ter medo não te faz um medroso. E demonstrar,
às vezes, não é sinal de fraqueza.
Chega de fazer merchandising
enganosos de nós mesmos. E não se preocupe, sentir a intensidade das coisas
enquanto todos gastam tanto tempo e esforço em tentar esconder, não te fará
inferior. Te mostrará forte.
Chorar
borra o rímel, mas lava a alma. Então, permita-se sentir.
Mande
seus nudes. Isso mesmo! Mande mais nudes. Hoje me vejo nua, mas não de corpo,
nua de hipocrisia, nua de pré-conceitos. De alma exposta. Vamos lá! Me manda
seus nudes?!
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