LEOA

[ Você pode ler esse texto ao som de Leoa - Pedro Salomão ]
Se tu soubesses o quão estranho isso é pra mim... Admito que gosto da sensação que estou sentindo agora, mas é complicado me tornar vulnerável para alguém. Sempre fui uma leoa solitária, sem alcateia para dividir o reinado da minha selva. Controlava, com astúcia quase maestral, meus medos e receios. Sabendo bem minhas prioridades e limites.
Não fui criada para ser sensível, confesso. Um elogio me causa certa estranheza, é como se não coubesse a mim tais palavras afetuosas. Precisei, quase sempre, ter força e demonstra-la nos momentos em que meu coração queria sair pela boca.
Mas me encontro nessa fase da vida, que sinto necessidade de ser aquela boba apaixonada, sentir a doce bravura da paixão queimando em meu corpo, ver os olhos brilharem e o coração palpitar com pequenos gestos.
Sou um tanto quanto relapsa, e demonstro meus sentimentos com pequenas atitudes. Não me peça para mudar esses meus trejeitos. Cada um sente suas intensidades a sua maneira.
Gosto de paixões passageiras, apesar de nunca alguém despertar mais do que um simples tesão em mim. Como Leoa solitária sempre fui fechada a certos cuidados e carícias, mas pensando melhor, quem poderia ofuscar meu doce instinto selvagem e afoga-los com afagos?!
Preciso ser domada, sou arredia. Quero estar cara a cara com meus demônios internos, enfrenta-los como uma legítima rainha da selva o faria. Não quero mudar minha essência, quero transborda-la.
Hoje, quero rugir. Só para mostrar que essa leoa aqui também pode reinar a selva.

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